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sábado, 30 de abril de 2022

Festas juninas chegando!

 







Bem, como sabemos é muito comum nos meses de Junho e Julho no Brasil, comemorarmos as festas juninas e julhinas... E em algumas regiões do país leva-se à sério diversas datas religiosas que o mês de Junho possui, como por exemplo: dia de Santo Antônio e São João, não à toa ouvimos os gritos de “Viva São João!” nessas festividades.

Mas o texto não é sobre a festa em si, mas sim sobre a estrutura social que sustenta esses eventos. Como devem saber sou Historiadora com especializações em outras áreas e atuando muito anos na educação, com isso torna-se impossível de não questionar determinadas situações impostas às pessoas de maneira “natural” durante eventos como esses sem explicar a origem dos mesmos, a função social que eles têm ou sequer as implicações de reproduzir essas ações (festas culturais).

Poderíamos aqui abrir um debate sobre o que é cultura, mas vou deixar isso para depois. Quando relativizamos a cultura e em detrimento de sua preservação permitimos que estruturas sociais nocivas se propaguem e se perpetuem, estamos fazendo um desserviço social e não praticando cultura. Cultura nunca deve enaltecer sofrimento, dor, humilhação, exclusão e qualquer tipo de preconceito ou atos que possam colocar a pessoa numa situação de risco ou de degradação mental, social, biológica, financeira e/ou emocional/psíquica.

Por que estou abordando isso e falando sobre as festividades juninas/julhinas?

Já parou para pensar sobre o que é a dança de quadrilha?

Fala de um pai coronelista que força uma jovem a se casar usando a milícia que ele comanda e financia, e como sabemos, esses grupos extremistas no Brasil nascem e crescem com dinheiro público desviado para fins criminais como esses. Outro detalhe bem cabuloso nas festas é a prisão aleatória de pessoas, que para serem soltas precisam pagar propina, exatamente como acontecia na Ditadura Militar que ocorreu no Brasil entre as décadas de 60 à 80.

Se repararem, a filha é muito jovem e foi, digamos, molestada pelo noivo e para honrá-la o pai força ela se casar com ele. Sim, temos aí um casamento de adolescentes ou até um caso de pedofilia onde a vítima é obrigada a se casar e viver com seu estuprador, aliciador etc. Sim, é isso mesmo... O castigo do estuprador é casar com a moça que ele estuprou/molestou/aliciou etc... Será que isso é um castigo para ele ou para ela?

Se vamos celebrar nossas festividades precisamos antes contextualiza-las, questiona-las e desconstrui-las, afinal, não é incomum ver nessas festas inúmeros apontamentos machistas, racistas e intolerantes de alguma natureza.

Que tipo de cultura queremos preservar? A que não se importa com as pessoas e que as faz de objeto, que enaltece o abuso e violência? Que romantiza o casamento forçado, a honra masculina e os grupos paramilitares? É isso que queremos deixar para nossos sucessores, um legado de preconceitos e ações deletérias?

Pois bem, não só com as festas juninas, mas todas nossas comemorações precisam ser repensadas. Vivemos um tempo próspero, apesar de tudo, no qual é possível discutir e transformar a sociedade tornando o mundo um lugar melhor para todes.

Vale lembrar que no Brasil não temos festas públicas que enalteça outras religiões se não as cristãs, então acho melhor começarmos a pensar no impacto social que isso causa para as outras comunidades religiosas que existem no país.

Bem, por enquanto é isso.

Beijos e até a próxima! ^^

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